Fazer o curso é só metade do trabalho. A outra metade, que quase ninguém faz direito, é apresentar esse curso de um jeito que o recrutador valorize. Um certificado guardado não muda nada. Bem posicionado no currículo e no LinkedIn, ele vira argumento de contratação.

Neste guia, mostramos onde listar seus cursos, o que escrever e o que evitar.

No currículo: seção, ordem e o que escrever

Crie uma seção específica, com um nome claro como “Qualificação complementar” ou “Cursos e certificações”. Ela vem depois da formação acadêmica e da experiência.

Para cada curso, informe três coisas: nome do curso, instituição e carga horária. A carga horária importa, principalmente se a vaga ou o edital pedir um mínimo.

A ordem certa não é cronológica, é por relevância. Coloque primeiro os cursos que conversam com a vaga. Se você concorre a uma vaga administrativa, o curso de Excel e o de gestão vêm antes de qualquer outro.

Exemplo de como fica, com cursos e cargas reais:

  • Microsoft Excel 2016 Avançado, Fundação Bradesco, 30h
  • Introdução ao Excel, Escola Virtual.Gov, 25h
  • Comunicação Escrita: Ortografia, Gramática e Texto, Fundação Bradesco, 16h
  • Atendimento ao Público, Fundação Bradesco, 10h

Repare que a carga horária está correta em cada linha. Isso importa mais do que parece: inventar ou arredondar carga horária é o tipo de detalhe que derruba um candidato. O recrutador que conhece a plataforma percebe na hora, e o que era um certificado legítimo vira dúvida sobre a sua honestidade.

Se você não lembra a carga exata, abra o PDF do certificado antes de escrever. O número está lá.

Um cuidado com a validade

Alguns certificados têm prazo. Os da Escola Virtual da Fundação Bradesco, por exemplo, valem 2 anos, conforme os termos da plataforma. Não significa que você deva apagar do currículo depois disso, mas evite apresentar um documento vencido quando o RH ou o edital pedir comprovação formal. Detalhes no guia da Escola Virtual Bradesco.

Cuidado ao citar a FGV

Se você fez um curso gratuito da FGV, escreva “declaração de participação” e não “certificado”. A própria FGV informa que os cursos gratuitos não geram certificado. Parece detalhe, mas um recrutador da área vai notar, e a precisão joga a seu favor. Veja o guia da FGV.

No LinkedIn: use a seção certa

O LinkedIn tem um lugar próprio para isso: a seção “Licenças e certificados”. Adicione cada curso com nome, instituição, data de conclusão e, quando existir, o código ou link de validação.

Por que isso importa: recrutadores filtram candidatos por essas informações. Um perfil com certificados relevantes bem preenchidos aparece mais e passa mais credibilidade. Vale também citar os principais cursos no seu resumo, no topo do perfil.

O que evitar

Alguns erros comuns tiram força da sua qualificação:

  • Encher de curso irrelevante. Vinte cursos de duas horas sem relação com a vaga não ajudam. Selecione.
  • Exagerar no nível. Escrever “avançado” no que você fez o básico. Recrutador testa.
  • Esquecer a carga horária. Sem ela, o curso perde peso para horas complementares e concursos.
  • Deixar tudo solto. Agrupe por área, não jogue os cursos em qualquer canto do currículo.
  • Citar plataforma que saiu do ar. É o caso do Google Ateliê Digital, descontinuado. Se você concluiu antes, mantenha o certificado no currículo, mas esteja preparado para explicar que a plataforma foi encerrada. Contamos o que houve no guia sobre o fim do Ateliê Digital.

Transforme o certificado em conversa de entrevista

O pulo do gato é não apenas listar, e sim contar uma história. Na entrevista, em vez de dizer “fiz um curso de gestão”, diga o que mudou: “fiz um curso de gestão de projetos e comecei a organizar minhas tarefas por prioridade, o que me deixou mais produtivo”.

Isso mostra duas coisas ao recrutador: que você aprende por conta própria e que aplica o que aprende. É exatamente o tipo de sinal que ajuda a fechar uma vaga.

Se você ainda tem dúvida sobre o peso real desses certificados, leia se o certificado de curso gratuito vale no currículo. E para escolher bons cursos para preencher essa seção, comece pelo guia de cursos gratuitos com certificado.

Cursos, cargas horárias, regras de validade e diferença entre certificado e declaração verificados nos sites da Escola Virtual da Fundação Bradesco, da Escola Virtual.Gov e da FGV em 9 de agosto de 2026.

Perguntas frequentes

Onde colocar cursos no currículo?

Crie uma seção chamada 'Qualificação complementar' ou 'Cursos', abaixo da formação acadêmica. Liste os cursos por área de relevância, com nome do curso, instituição e carga horária. Priorize os que têm relação com a vaga.

Como adicionar certificados no LinkedIn?

Use a seção 'Licenças e certificados'. Preencha nome do curso, instituição, data e, se houver, o link ou código de validação. Essa seção é filtrável por recrutadores, então vale caprichar nos cursos relevantes.

Devo colocar todos os cursos que fiz?

Não. Selecione os relevantes para o seu objetivo e os de instituições reconhecidas. Uma lista enorme de cursos de duas horas sem relação com a vaga passa impressão de dispersão, não de esforço.